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Câncer de pele em pacientes transplantados

Câncer de pele em transplante de órgãos

Os transplantes de órgãos são feitos há quase 40 anos. Neste período o sucesso deste tipo de tratamento aumentou brutalmente, fazendo com que os pacientes transplantados vivam mais e melhor. Uma das complicações deste aumento de sobrevida é o aparecimento de tumores, sendo o câncer de pele o mais frequente. Carcinoma basocelular e espinocelular representam 90% dos cânceres de pele em transplantados. Na população o carcinoma basocelular (CBC) (www.dovera.com.br/carcinoma-basocelular) é mais frequente que o carcinoma espinocelular (CEC) (www.dovera.com.br/carcinoma-basocelular)  em pacientes transplantados esta relação se inverte, sendo o CEC muito mais frequente.
O risco de um paciente transplantado desenvolver um carcinoma espinocelular é 65 a 250 vezes maior que o da população geral, para carcinoma basocelular o risco é estimado em 10 vezes maior que o da população geral. 

Calcula-se que 50% dos pacientes brancos com 20 anos pós transplante desenvolvam algum tipo de câncer de pele. Estes números sobem para 80% em pacientes brancos transplantados na Austrália.  Estes dados mostram como o câncer de pele é comum em transplantados.

 

Fatores de risco para câncer de pele em transplantados

  • Imunossupressão: Para evitar a rejeição ao transplante são usadas drogas imunossupressoras que diminuem as defesas do corpo, permitindo o aparecimento do câncer de pele. Quanto mais intenso o esquema de imunossupressão maior o risco de desenvolver câncer de pele. Doentes que tiveram um início de rejeição no primeiro ano pós transplantes e, portanto, usam esquemas imunossupressores mais fortes tem maior risco de desenvolver câncer de pele. Transplantados cardíacos e pulmonares que usam esquemas mais fortes de imunossupressão tem um risco 3 vezes maior de desenvolver câncer de pele se comparados a transplantados renais. O menor risco é atribuído aos transplantados hepáticos que utilizam os esquemas imunossupressores mais brandos.

  • Pele clara: Pacientes transplantados que tem a pele clara, que se queimam com facilidade no sol, tem um risco maior de desenvolver câncer de pele após um transplante.

  • Radiação ultravioleta: é também um enorme fator de risco. A radiação UV age de duas formas: a radiação ultravioleta B causa mutações no DNA das células e a radiação ultravioleta A é responsável por imunossupressão da pele exposta. Estes dois fatores somados ao esquema medicamentoso usado pelos pacientes transplantados causam uma diminuição da vigilância imunológica e aparecimento de tumores. Sendo que 90% destes tumores surgem em áreas expostas ao sol. A radiação ultravioleta tem efeito cumulativo, ou seja, quanto maior a idade, maior a exposição à radiação e maior o efeito acumulado.

  • Idade: Pacientes brancos transplantados aos 40 anos de idade desenvolvem câncer de pele após 8 anos em média. Já pacientes transplantados após os 60 anos, desenvolvem câncer de pele após somente 3 anos. Isso se deve provavelmente ao efeito acumulado da radiação solar. Estes pacientes mais velhos provavelmente já apresentam lesões pré-cancerígenas e a perda da vigilância imunológica favorece a transformação destas lesões pré em câncer de pele.

  • Lesões pré-cancerosas: A queratose actínica é o exemplo principal. Pacientes transplantados com múltiplas queratoses actínicas tem um risco maior de desenvolver carcinoma espinocelular.

Legenda: Carcinoma espinocelular de crescimento rápido e comportamento agressivo em paciente transplantado pulmonar.

 

Todos os transplantes de órgãos aumentam o risco de desenvolver câncer de pele? 

    Sim, todos aumentam o risco pela imunossupressão usada. Mas dependendo da dose de medicação usada e de cada medicação o risco pode ser maior ou menor. 

    Nos transplantes de órgãos sólidos, como transplante de rim, fígado, coração existe um risco aumentado de câncer de pele, sendo o carcinoma espinocelular o tumor mais comum. Já no transplante de medula o carcinoma basocelular é o câncer mais comum.

 

Cuidados com o paciente transplantado 

    Pelo grande risco de desenvolver câncer de pele os pacientes transplantados devem adotar medidas de prevenção, como usar protetor solar, evitar exposição ao sol, uso de roupas de manga comprida além de chapéus ou bonés. Quanto mais clara a pele do paciente, maior a necessidade destes cuidados.
    Além das medidas de prevenção o acompanhamento com um dermatologista é recomendado. Pacientes transplantados que já tiveram câncer de pele devem realizar este seguimento a cada 3 a 6 meses. É importante lembrar que o câncer de pele em transplantados é mais agressivo e com crescimento mais rápido, portanto, é ainda mais importante o diagnóstico precoce.

 

Referências bibliográficas

Dr. Gustavo Alonso Pereira

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Dr. Gustavo Alonso Pereira

Dermatologista - CRM - SP: 97410 | RQE - 37815